Conversão dos ramais ferroviários em metrô subterrâneo
Este trabalho tem como objetivo demonstrar as inúmeras vantagens da utilização do modal ferroviário subterrâneo nas metrópoles já existentes, constituindo-se em uma referência para a colocação das cidades nos trilhos.
O crescimento desordenado das grandes metrópoles, resultando em restrições para a acessibilidade e mobilidade, gera um custo vultoso e de múltiplas ineficiências para o conjunto da sociedade, gerando impactos negativos na questão da segurança, saúde, transporte de cargas e de passageiros, lazer, saneamento básico e na educação.
A adoção deste modal apresenta soluções cristalinas para um melhor ordenamento da gestão de uma cidade, irradiando externalidades positivas em vários desafios que afetam a qualidade de vida da sociedade, facilmente observadas mediante a análise da relação custo-benefício, além dos benefícios sócio-econômicos, não tão difíceis de serem mensurados.
Para uma melhor percepção das inúmeras vantagens advindas da adoção do modal ferroviário subterrâneo, este trabalho elege a cidade do Rio de Janeiro como exemplo, admitindo-se a conversão de todos os ramais ferroviários existentes em metrô subterrâneo e sua ampliação em todas as direções, bem como a ligação Porto de Sepetiba – Porto do Rio, mediante a utilização deste modal, dividindo-se em três etapas, apresentadas resumidamente, que não esgotam o assunto.
A primeira etapa visa caracterizar a cidade do Rio de Janeiro, com destaque para as áreas que circundam os ramais ferroviários existentes, particularmente para o trecho compreendido entre a Central do Brasil e Deodoro.
A segunda etapa visa destacar as inúmeras vantagens na transformação dos ramais ferroviários existentes em metrô subterrâneo.
A terceira etapa visa apresentar uma alternativa para a viabilização das fontes de recursos e para a recuperação dos investimentos necessários para a implantação dessa proposta.
Além das três etapas, serão incluídas uma quarta e quinta etapas, abordando, respectivamente: questões institucionais e de competências; e desafios e vantagens sobre o “trem bala” nas metrópoles.
Como será possível depreender, ao final deste trabalho, a transformação de todos os ramais ferroviários hoje existentes na cidade do Rio de Janeiro em metrô subterrâneo poderá se constituir um forte instrumento de gestão e de melhoria da qualidade de vida da sociedade fluminense e poderá servir de parâmetro para outras metrópoles do Brasil.
1. Características da cidade do Rio de Janeiro
Atualmente a cidade do Rio de Janeiro, com sua topografia singular, se caracteriza por apresentar alta densidade demográfica e uma saturação no setor de transporte de um modo geral, tanto o de massa quanto o de carga. As principais vias de acesso da cidade foram inicialmente ocupadas, principalmente ao longo das vias férreas, e à medida em que os espaços para habitação regular foram diminuindo, foram surgindo outras estruturas de ofertas de transporte, e assim a população foi se espalhando, ocupando praticamente toda a extensão da cidade.
O centro da cidade apresenta uma boa estrutura de oferta de transporte de pessoas. A zona sul, com o advento do uso do modal metroviário, integrado com o modal rodoviário também encontra-se próximo do satisfatório. E a zona oeste e a baixada fluminense encontram-se em um caos.
A cidade do Rio de Janeiro, linda por natureza, convive com todo tipo de poluição: sonora, ambiental, visual etc.
O transporte urbano de massa na cidade do Rio de Janeiro apresenta uma forte saturação, dificultando a acessibilidade e mobilidade da população, contribuindo para o aumento da poluição ambiental, visual e sonora, implicando em aumento dos problemas nas áreas de segurança e saúde, refletindo, também, em redução de tempo disponível para lazer e estudos, à medida em que se consome tempo demasiado no trajeto casa-empresa, casa-escola,. empresa-escola e vice-versa.
O poder público perdeu sua capacidade de gestão e de controle, dificultado sobremaneira pela existência de fatores de impedância à acessibilidde e mobilidade.
A existência dos ramais ferroviários, com seus muros, escadarias, redes de energia elevadas, contribuem para a poluição visual, diminuem a beleza da cidade e dificultam a acessibilidade e mobilidade, além de não oferecer um espectro maior de facilidades para a gestão da cidade.
Observando os bairros que se desenvolveram ao longo das vias férreas, com destaque neste trabalho, para o segmento que parte da Central do Brasil e vai até Deodoro, nota-se uma intensa degradação, total ausência do poder público no setor de saneamento, de urbanização, atividades de lazer, escola etc.
2. Vantagens da transformação dos ramais ferroviários em metrô subterrâneo
São inúmeras as vantagens dessa transformação, passando por facilitar a gestão da cidade do Rio de Janeiro, senão vejamos:
Redução da poluição visual: todas as escadarias, viadutos, muros e redes suspensas não mais existiriam.
Redução da poluição sonora: as pessoas que vivem ao longo das vias férreas poderiam ter melhor qualidade de vida com a eliminação do barulho.
Melhor ocupação da superfície: o espaço acima do metrô poderá ser utilizado para fins comerciais, lazer, saúde, estacionamento, instituições de governo.
Melhor ocupação do metrô: o metrô subterrâneo poderá ser projetado tanto para transportar pessoas como para transportar cargas, com profundidade suficiente para transportar 2 (dois) contêineres, um acima do outro.
Segurança: transportando carga ou passageiro, haverá melhor monitoramento com menor custo, com possível reflexo na redução do índice de sinistralidade.
Sistema de frenagem: a diferença técnica entre um trem de superfície e um trem de metrô diz respeito ao sistema de frenagem. O trem de metrô oferece um sistema de frenagem que permite distâncias menores entre as estações. Neste sentido, as pessoas que moram entre as estações vão poder sair de suas casas e se dirigir a uma das estações, não sendo atraídas para utilizar outro modal.
Prestação de outros serviços: os espaços internos do metrô poderão ser utilizados para instalação de várias redes: elétrica, hidráulica, internet, cabos de TV etc, aumentando a segurança e facilitando sua manutenção.
Custo de manutenção: por não estar exposto em maior grau às intempéries da natureza, o custo de manutenção é muito menor.
3. Alternativas para a viabilização das fontes de recursos e para a recuperação dos investimentos
Fontes de recursos
Entre as várias alternativas possíveis, e dado que este tipo de operação demanda um investimento vultoso, ademais por se tratar de um projeto de infra-estrutura de transporte público, poderia, preliminarmente, se buscar uma participação exclusiva do poder público para a sua implantação. Poderiam ser desenvolvidas operações de empréstimos advindas de organismos internacionais.
Recuperação dos investimentos
Observando um plano de zoneamento e de desenvolvimento, grande parte das áreas de superfície poderiam ser arrendadas para a iniciativa privada, para fins comerciais diversos.
4. Questões institucionais e de competências
A exemplo do que existe na cidade de Nova York, do ponto de vista de gestão e de ordenamento da cidade, visando neutralizar conflitos de competência, poderia ser criado um órgão central, convergindo para ele várias competências, com poderes semelhantes aos que são atribuídos à Autoridade Porturária de Nova York Nova Jersey.
Ademais, a exemplo do que existe ou existia na cidade de Paris, com o modelo de gestão lá empregado, tendo a empresa Lyonnaise des Eaux como operadora, poderia ser criada uma empresa, para a execução dos serviços de transporte e de todos demais serviços, subordinada ao órgão central.
5. Desafios e vantagens do metrô subterrâneo vis-à-vis o trem bala
Os desafios que se apresentam diz respeito à definição de uma estratégia para a transformação dos ramais ferroviários em metrô, minimizando os impactos, durante a construção, na movimentação de cargas e passageiros. Poder-se-ia imaginar a criação de um canteiro de obras na área de Deodoro, constituindo-se no ponto central de onde partiriam para os diversos ramais.
O uso do metrô subterrâneo mostra-se mais eficiente e de menor custo no médio e longo prazo, dado que poderá ser utilizado para vários fins.
Fazendo um contraponto com o projeto do “Trem Bala”, é possível depreender que, em face da realidade atual, os investimentos na melhoria dos meios de transporte existentes, além de ser mais prioritário, traria inúmeros benefícios sócio-econômicos para a sociedade como um todo. Não existiria, nem mesmo, a possibilidade de concorrer com outros modais e todas as suas externalidades negativas.

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